Poemas em família são poesias que fazem parte do meu livro Via Crucis, catapulta, poemas em família e outros poemas escrito em 2005/06
Poemas em família são poesias que fazem parte do meu livro Via Crucis, catapulta, poemas em família e outros poemas escrito em 2005/06
SOGRAS, LIVROS E VIÚVAS.
Dizem que hoje é o dia da sogra. O que podemos fazer num dia como esse? Mandar flores? Fazer um churrasco? Talvez um telefonema? Para não passarmos por mentirosos, fazer de conta que esquecemos também vale. Eu, pelo menos, não sei fingir. Bem que no meu caso não tenho muito a reclamar. Nunca fiquei tão perto que pudesse criar atrito. No mais, quando busco Águas da Prata para passar meus feriados, é ela quem me acolhe. Mas, já ouvi casos de brigas homéricas entre sogras e genros ou sogras e noras. Acho que os maiores são com as noras. Terríveis as tais noras! Terríveis as sogras, gritam as noras, e por aí vai. Perderem o filho para outra mulher. Acho que é o que as deixam constrangidas. Vejo o pega da Luciane com o Lucas por causa da namorada. Eu fico na minha, afinal de contas sogro não tem má fama. Para que possa mudar de assunto, pense bem antes de ligar para a sua sogra. Diga do fundo do coração: “Sogrinha querida, parabéns pelo seu dia!” E pronto, sem muitas delongas para não cair em alguma armadinha e a sogra fechar a cara, ou, pior ainda, encomendar algum trabalho para vê-lo em má situação. E praga de sogra é um perigo danado. Pega mesmo, não tem galho de arruda que dê jeito.
Deixando a sogra de lado, porque com coisa séria não se brinca, terminei a leitura de dois livros que recomendo. Um é a biografia de João Goulart. Realmente impressiona como tentaram apagar um período grande da história brasileira, sob a batuta de Jango, que por duas vezes foi eleito vice-presidente do Brasil e uma vez assumiu a presidência, depois da renúncia, em 1961, de Jânio Quadros. O livro é excelente para desmistificarmos o perigo do comunismo que foi vendido como fator preponderante para o golpe militar de 1964. O outro livro, que também me deixou impressões ótimas, é o de contos do argentino Jorge Luis Borges. Conciso e impressionante. Contos que carregam o fantástico ao extremo e nos dá horas de prazer pela boa leitura.
Falando em fantástico ao extremo, na semana passada estive em Águas da Prata e, como de costume, fui no sábado pela manhã caminhar. Quanto estava fotografando uma árvore, frente a uma chácara na avenida que leva o nome de meu pai, Luiz Tôrres da Silva, saiu de um portão lateral um senhor apoiado à sua bengala. Conversa vai, conversa vem, ele disse-me que possui uma filha que se enviuvara três vezes. Disse que era nascida em 1974. Rapidamente fiz a conta, trinta e sete ou trinta e oito anos. Fiquei a imaginar que tragédia poderia ter ocorrido para que uma mulher nova tenha enviuvado tantas vezes. Conheci, quando trabalhava em Poços de Caldas, um senhor (cinquenta anos) que enviuvara duas vezes e ia para o terceiro casamento. Enquanto o pai contava a história da sua vida, confesso que fiquei com medo de olhar para a chácara e, de repente, ver a filha. Sabe-se lá o que o destino nos reserva, não é verdade? Só não entendi porque abriu a vida de sua filha para mim. Depois que voltei da caminhada contei para a Luciane e agradeci por ela não ter ficado viúva nenhuma vez, ainda!
Até sábado que vem! Longe da Avenida Luiz Tôrres.
caminhando pela
Platina
conheci um português
tem uma filha bonita
que ficou viúva "treis
vez"
Puxa!
O português era o pai da Cristina. O português plantou a árvore. A árvore tinha flores amarelas. As abelhas gostam das flores. Elas vinham chupar o mel. O português amarrou a árvore. A árvore estava tombando. Cristina ficou viúva três vezes. A Cristina é muito bonita. A Cristina pode ser uma bruxa. O português tinha uma bengala. As bruxas possuem vassouras. As abelhas voam para todos os cantos. As abelhas não são amigas das bruxas. A Cristina voa em sua vassoura. O português voa com a sua bengala. O céu é azul. A Luciane não é viúva.
Contra o vergonhoso código da destrução do nosso pais!
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